quarta-feira, março 29, 2006

136.

biblioteca cheia,
todos respiram sem que os seus pulmões tenham o espaço necessário para procurar o ar que precisavam,
barulho aqui e ali, uma cadeira arrasta-se para se voltar a recostar,
ninguém respira,
apenas olha para os apontamentos,
aquelas cópias, já velhas que consegui arranjar à última,
todos pensam,
ouvem-se as cabeças e os passos e as páginas a serem reviradas do avesso: de preferência de pernas para o ar,
a luminosidade lá de fora só reflecte na janela,
não entra,
não quer entrar,
todos respiram sem que o ar seja o que os seus pulmões necessitassem.